‘Dia Internacional em Memória do Holocausto’ em Madrid

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A 27 de Janeiro de 1945 o campo de Auschwitz foi libertado pelo Exército Vermelho. A partir do ano de 1953 e para celebrar a memória das vítimas do Holocausto, foi instituído por Israel que o dia 27 de Janeiro seria o Dia Internacional em Memória do Holocausto. Ontem celebramos o 70º aniversário da libertação do campo e, como em muitas outras cidade à volta do mundo, Madrid também contou com a sua quota-parte de celebrações.

99,9% de vocês não sabem, mas a história do Holocausto é algo que a mim me fascina. Já li vários livros sobre o tema, relatos de sobreviventes, estórias (mais ou menos) ficcionadas passadas nesse tempo, vi todo o tipo de documentários, visitei 3 campos de concentração (incluindo 2 visitas a Auschwitz) e a fábrica de Oscar Schindler.

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Primeira visita a Auschwitz, em 2010
Em Birkenau, em Junho de 2014
Em Birkenau, em Junho de 2014

Este ano, o Centro Sefarad-Israel em conjunto com o Instituto Polaco de Cultura, dedicaram 10 dias à comemoração da liberação dos campos e do Dia Internacional em Memória do Holocausto, cujo ponto alto foi (a meu ver) a presença de dois sobreviventes da Shoá (nome hebreu dado ao holocausto, o "A Catástrofe") para falarem sobre as suas experiências.
Não pude deixar de ir e de os conhecer, assim como às suas histórias.
Na Segunda-feira, dia 26/01, o Centro Sefarad-Israel recebeu Jorge Klainman, nascido na cidade polaca de Kelce e sobrevivente da Shoá, hoje com 87 anos.

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Entre 1943 e 1945 passou pelo gueto de Varsóvia e 5 campos de concentração diferentes, entre os quais Plaszów (perto de Cracóvia), Mauthausen e Sachsenhausen. Há cerca de 20 anos escreveu um livro intitulado "O sétimo milagre", pois segundo nos contou escapou à morte 6 vezes durante a sua passagem pelos campos, sendo que o sétimo milagre é o facto de ter conseguido escrever o livro e contar a sua história.

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Ontem, o Centro Sefarad-Israel inaugurou uma exposição em honra dos Justos entre as Nações polacos que ajudaram judeus a sobreviverem e a escaparem ao inferno dos campos. Contou com a presença de Janina Rekłajtis, 80 anos, presa nº 83043 e sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

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Janina nasceu a 23 de Março de 1934 em Varsóvia. Após a Insurreição de Varsóvia a 1 de Agosto de 1944, Janina foi levada juntamente com os pais e o irmão para o campo de trânsito de Pruszków, nos subúrbios de Varsóvia. Alguns dias depois Janina e a mãe foram deportadas para Auschwitz, onde ficaram até ao dia 17 de Janeiro de 1945 (10 dias antes da libertação do campo), sendo depois transferidas para o campo de Renickendorf, um campo satélite de Sachsenhausen. Foram libertadas pelo Exército Vermelho em Abril de 1945. Depois do final da II Guerra Mundial, Janina voltou para Varsóvia com a sua mãe e irmão, onde reencontraram a sua irmã mais velha (que lutava pelo AK, Exército Clandestino Polaco). Vive em Varsóvia até aos dias de hoje.

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Posso dizer que adorei o testemunho de Janina. Muito humano e profundo, que me fez ficar com pele de galinha algumas vezes. Ao contrário do testemunho de Joge Klainman, do qual eu não gostei, o de Janina não era um discurso ensaiado durante horas, não parecia que a senhora estava a ler um guião ou a ditar um AudioBook. Trazia no braço esquerdo uma braçadeira com o número de prisioneira e o triângulo vermelho com P negro, símbolo dos presos políticos. Janina e a família foram mandados para Auschwitz não por serem judeus, mas porque a filha mais velha era combatente do Exército Clandestino Polaco.

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No final da palestra tivemos direito a vinho e canapés oferecidos pelo Instituto Polaco de Cultura, e a falar pessoalmente com Janina Rekłajtis. Apesar de o meu polaco nunca ter sido demasiado bom, e depois de muito tempo sem ouvir uma palavra que fosse, ainda consegui soltar um "Dziękuję bardzo Pani Janina!" com o meu melhor sotaque e agradecer à senhora não só pela sua presença e testemunho, mas também por tudo o resto.

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“Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro” é o lema extraído do Talmud que aparece gravado nas medalhas que são impostas aos reconhecidos como Justos entre as Nações, a maior condecoração que um estrangeiro pode receber do Estado de Israel.

Algumas fotos da exposição:

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Comentários

Comentários

2 comentários em “‘Dia Internacional em Memória do Holocausto’ em Madrid

  1. desbravandomadrid

    Não falo praticamente nada, só as frases básicas para me apresentar e dizer que não falo polaco ahahah
    Fiz Erasmus em Cracóvia e tive 6 meses de aulas de polaco! Assim que puder quero recomeçar, é uma lingua que adooooro!
    A exposição é pequenina, mas interessante!

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