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5 coisas que não sabias sobre o Campo del Moro

Madrid está repleta de jardins, uns mais conhecidos que outros, e hoje vou-vos falar de um jardim que raramente aparece nos guias turísticos, apesar de ser dos mais bonitos e tranquilos de todo o centro: os Jardins do Campo del Moro.

Ocupa uma área de mais de 20 hectares e está localizado na parte de trás do Palácio Real, numa zona de grande declive até ao Madrid Río. Em 1931 foi declarado Bem de Interesse Histórico e Artístico.

Campo del Moro, segredos, madrid

Jardim do Campo del Moro visto desde o Palácio Real(autor: Mattia Panciroli / Flickr Creative Commons)

5 coisas que não sabias sobre o jardim do Campo del Moro:

1- O seu nome veio de um acontecimento histórico que aqui teve lugar no século XII. Em 1109 o exército muçulmano, liderado por Alí Ben Yusuf, decidiu acampar nesta zona antes de rumar a Toledo para a conquistar. Acharou que antes de conquistar uma nova cidade, deveria tentar recuperar Madrid das mãos dos cristãos e este era o melhor ponto de partida para assaltar e sitiar o Alcázar de Madrid.

2- O traçado definitivo dos jardins foi realizado em 1844 por Narciso Pascual y Colomer. Como o jardim foi construído num barranco e para resolver o problema do desnível entre as margens do rio Manzanares e o Palácio Real, foram utilizados os escombros das casas e igrejas que tinham sido derrubadas na reforma da Porta do Sol. No entanto, os jardins só foram construídos no século XIX.

Fonte das Conchas, Campo del Moro, segredos, madrid

Fonte das Conchas (autor: Roberto Lazo / Flickr Creative Commons)

3- O Campo del Moro conta com duas fontes monumentais que provêem de localizações anteriores: a Fonte das Conchas (Fuente de las Conchas), desenhada por Ventura Rodríguez no século XVIII, decorou os jardins do Palácio do Infante Dom Luis, em Boadilla del Monte, até ao século XIX quando foi transladada para o Campo del Moro; e a Fonte dos Tritões (Fuente de los Tritones), que estava localizada nos Jardines de la Isla, no Palácio de Aranjuez. Esta última é considerada a fonte mais antiga da capital.

4- O Campo del Moro, juntamente com os Jardins de Sabatini, é um dos jardins mais escolhidos pelos fotógrafos de casamentos para as fotos dos noivos, portanto é bem provável que da próxima vez que passarem por ali encontrem mais de um casal a tirar fotos!

Vista panorâmica, Campo del Moro, madrid
Vista panorâmica das Praderas de las Vistas del Sol  (autor: campodelmoro / Flickr Creative Commons)

5- Existem duas lendas um tanto ou quanto macabras relacionadas com estes jardins. A primeira, e mais antiga, fala-nos do fantasma de um homem que morreu de amor.

Na época em que o jardim foi construído, as donzelas da corte não passeavam pela rua, e muito menos durante a noite. Como Madrid sempre foi conhecida pelos seus verões quentes e sufocantes, as damas da corte aproveitavam os jardins do Campo del Moro, pertencentes ao palácio, para dar as suas caminhadas e apanhar um pouco de ar no final dos dias quentes. Diz-se que nessa época aparecia nas esquinas dos jardins o fantasma de um homem a chorar. As damas aproximavam-se dele para saber o que se passava e se precisava de ajuda e o homem contava-lhes que tinha morrido por uma mor não correspondido de uma mulher.

A "cantiga" do fantasma era tão convincente que as mulheres deixavam-se levar por ele e, passados alguns meses, mais de uma apareceu grávida. Os maridos, furiosos, bem procuraram pelo fantasma do dito homem, mas nunca o conseguiram apanhar. Durante muitos anos, as mulheres que ficavam grávidas fora do casamento, acusavam este fantasma de ser o culpado.

A segunda lenda leva-nos até à Idade Média, ao reinado de Juan II, pai de Isabel a Católica. Naquele tempo os reis recebiam centenas de presentes e um desses presentes para o rei Juan II foi um filhote de urso, que vinha acompanhado pelo seu domador húngaro para que o pudesse treinar e amestrar, fazendo que com o tempo o urso ficasse manso e pudesse servir como animal de companhia do rei.

O urso foi colocado numa jaula dentro do recinto do Campo del Moro.

Infelizmente o domador húngaro não era muito bom na arte de domar animais e tratava o pobre urso à base de pancada.

Campo del Moro, madrid, segredos

(autor: martius / Flickr Creative Commons)

Uma bela manhã, um dos empregados do rei, ao passar pela jaula do urso, descobriu que os barrotes da jaula do animal estavam todos desfeitos e que, nem o urso nem o treinador se encontravam por perto…

O empregado contou ao rei que mandou uma data de homens à procura do urso e do domador, para saber se estava tudo bem com eles e impedir de que o urso atacasse mais alguém.

Mas, tanto um como o outro, nunca foram encontrados. Pelo menos vivos…

Reza a lenda que nas noites de lua cheia é possível ver vultos no Campo del Moro a correr de um lado para o outro, enquanto se ouvem grunhidos de urso e palavras numa língua desconhecida. Umas vezes é o domador que vai atrás do urso e outras vezes é o urso quem corre atrás do domador.

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