A 8 de fevereiro de 1804, nasce na Calle del Calvario, no bairro de Lavapiés, Luis Candelas Cajigal, um dos bandoleiros espanhóis mais conhecidos.

Foi o terceiro filho de uma família acomodada economicamente, cujo pai era carpinteiro. Sabia ler e escrever e estudou no Colégio de San Isidro. Durante os dois anos que passou no colégio começou a juntar-se com pequenas quadrilhas de rapazes mal comportados e estas más influências acabaram por fazer com que fosse expulso depois de um dos sacerdotes do colégio lhe ter dado um estalo e ele ter respondido dando-lhe dois.

gravado de luis candelas a cor

Aqui começaram as suas aventuras como fora-da-lei, ladrão e bandoleiro.

A primeira vez que foi preso ainda não tinha atingido a idade adulta. Encontraram-no a deambular pela Praça de Santa Ana a altas horas da noite.

Aos 15 anos fez o seu primeiro assalto, pelo que foi detido e preso na Prisão da Vila (na Praça de Santa Cruz, hoje em dia o Ministério dos Negócios Estrangeiros).

Aos 21 anos foi condenado a seis anos de prisão por roubar dois cavalos e uma mula.

Na sua primeira época como delinquente, entre 1823 e 18300, dedicou-se a viver à custa de mulheres abastadas, que pagavam pela sua companhia e os seus caprichos. Admitia ser um Don Juan. Era moreno, com boa pinta, dentes brancos, bem barbeado, e usava capa negra, calções de bombazine e bons sapatos.

Teve uma vida dupla durante vários anos: durante o dia chamava-se Luis Álvarez de Cobos, era um emigrante espanhol que tinha feito fortuna no Peru, vivia na Calle Tudescos, vestia as melhores roupas da época e frequentava os mesmos lugares que a nobreza e a corte. Durante a noite, convertia-se no rei do submundo de Madrid.

bandoleiros e luis candelas à conversa

Dedicava-se a roubar, sob duas premissas: por um lado achava que as riquezas estavam mal repartidas; e por outro dizia que tinha necessidades que cobrir e que, um homem estudado como ele, não devia ter de fazer trabalho mecânico para sobreviver.

Tinha tanta lábia e certeza do que fazia, que quando era detido por algum roubo, das duas uma: ou conseguia fugir antes de chegar à prisão, ou fugia da prisão subornando os guardas que lá encontrava.

Numa destas “visitas” à prisão conheceu Salustiano de Olózaga, militar e político espanhol que chegou a ser Presidente do Conselho de Ministros, ajudando-o a escapar da prisão. Como agradecimento, Olózaga iniciou Luis Candelas na Maçonaria na “Logia Libertad”. A partir deste momento, Luis Candelas era visto muitas vezes durante a noite com uma capa negra com símbolos maçónicos.


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As mulheres na vida de Luis Candelas

Desde muito cedo que Luis Candelas era conhecido como um Don Juan na cidade de Madrid, e muitas foram as mulheres com que dormiu ou partilhou alguns momentos da sua vida, mas apenas três mulheres marcaram a vida do bandoleiro mais querido dos madrilenos:

– Na segunda-feira do Carnaval de 1827 casou com Manuela Sánchez, viúva de 23 anos, na Paróquia de San Cayetano. Durante a lua-de-mel em Zamora, descobriram que afinal não estavam feitos um para o outro e decidiram separar-se no Natal desse mesmo ano. Luis voltou para Madrid e Manual ficou por Zamora.

– Depois de Maria, Luis teve como amante uma rapariga chama Lola La Naranjera, que tinha amigos importantes na corte de Madrid que conseguiam tirar Luis Candelas da Prisão da Villa sempre que o encerravam e que, segundo as más línguas, também era amante do rei Fernando VII.

– A última das suas amantes importantes, a sua perdição e pela qual acabou por perder a vida, foi Clara. Uma rapariga de família honesta e classe média, com a qual viveu em Valência durante uma temporada.

O final de Luis Candelas: morte pelo garrote vil

Depois de muitos anos como bandoleiro, Luis decidiu que queria deixar a vida do crime e traçou uma plano: fazer três assaltos importantes em 15 dias e com o dinheiro que conseguisse angariar, abandonar Madrid e ir viver para o estrangeiro tranquilamente.

O primeiro assalto foi feito na Calle Preciados, à casa do presbítero Don Juan Bautista Tárrega.

Alguns dias depois, Luis e a sua quadrilha entraram na loja de esparto de Don Cipriano Bustosna Calle de Segovia, onde roubaram o dinheiro de várias confrarias das quais Cipriano era Administrador.

gravado do seculo XIX que mostra candelas no garrote vil

 

Depois do segundo assalto, Luis Candelas acabou por cometer o erro de assaltar quem não devia e foram estes assaltos que lhe custaram a vida.

Primeiro assaltou a diligência do Embaixador de França, roubando-lhe não só o dinheiro, mas também joias e papéis confidenciais.

Logo a seguir, no que seria o terceiro e último assalto, decidiu assaltar a casa da modista da rainha Maria Cristina de Borbón, Doña Vicenta Mormín, roubando tudo o que encontrou pelo caminho.

Depois fugiu rumo a Inglaterra com Clara mas, chegando a Gijón, esta decidiu que não queria sair do país e decidiram voltar a Madrid.

A 18 de Julho de 1837, Luis Candelas é preso pela polícia em Alcazarén, na província de Valladolid. É condenado por 40 roubos confirmados, e no julgamento do dia 2 de novembro de 1837, é condenado à morte por garrote vil.

Morreu a 6 de novembro de 1837, na Plaza de la Cebada, no garrote vil. As suas últimas palavras foram

“He sido pecador como hombre, pero nunca se mancharon mis manos con sangre de mis semejantes ¡Adiós pátria mía, sé feliz!”

gravado do seculo XIX que mostra candelas no garrote vil

Las Cuevas de Luis Candelas

Mesmo debaixo do Arco de Cuchilleros encontramos um restaurante chamado Las Cuevas de Luis Candelas.

Abriu um 1949 pelas mãos de Félix Colomo Díaz, um reconhecido toureiro madrileno, que se apaixona pelas grutas debaixo do arco e decide comprar o espaço para criar um restaurante onde poder recriar os tempos nos quais viveu Luis Candelas e contar um pouco da história de Madrid.

interior das cuevas de luis candelas

Durante o século XIX, o Arco de Cuchilleros era um ponto de encontro de majas e chisperos, um sítio castizo, uma pequena loja de tecidos. E era no armazém desta loja, metido dentro das grutas, que Luis Candelas se escondia com a sua trupe de ladrões, planeava os assaltos e distribuía os saques por todos. Um ótimo sítio, pois existiam várias saídas para a rua, com as quais enganavam os polícias e nunca eram presos.

interior das cuevas de luis candelas

Histórias sobre Luis Candelas: A capa e os trinta duros

Um dia, ao passar pela Porta do Sol, Luis Candelas viu numa montra uma bonita capa de veludo e decidiu que seria sua de qualquer jeito. Então, pôs em prática a sua lendária imaginação.

Mesmo em frente à loja das capas havia uma padaria. Luis entra na padaria e pede que lhe vendam trinta bolos duros, do dia anterior. O padeiro fica estranhado com este pedido, mas Candelas explica-lhe que são para uma partida que vai fazer a um amigo. Paga alguns centavos pelos bolos e pede ao padeiro que os guarde no armazém da padaria.

Luis volta à loja das capas, experimenta a capa de veludo que tinha visto na montra e gosta do que vê:

– Quanto devo, cavalheiro?

– São trinta duros (antiga moeda espanhola). – diz o dono da loja

Ao pagar, Luis finge que não tem dinheiro suficiente com ele e pede ao dono da loja que o acompanhe até à padaria, dizendo que o padeiro era seu amigo e que lhe devia trinta duros, que usaria para pagar a capa.

Entram na padaria e Luis Candelas, piscando o olho ao padeiro, diz:

– Amigo, dá a este bom homem os trinta duros que me tinhas de entregar.

O padeiro, tentando não rir, convida o dono da loja das capas para o acompanhar até ao armazém da padaria para ir buscar os trinta duros.

Nesse momento Luis Candelas aproveita para fugir com a sua nova e ondeante capa.

(História retirada do livro Su Majestad Escoja, de Carlos Osório)

gravado de luis candelas a preto e branco

Copla sobre Luis Candelas

Decidle al señor alcalde,
decidle al Corregidor,
que yo por Luis Candelas,
me estoy muriendo de amor.

Decidle que es un canalla,
decidle que es un ladrón,
y que he dejado que robe,
con gusto mi corazón.

Que corra de boca en boca,
Esta copla que yo canto
como si estuviera loca:

Debajo de la capa de Luis Candelas,
mi corazón amante vuela que vuela,
Madrid te está buscando para prenderte,
y yo te busco sólo para quererte.

Que la calle en que vivo está desierta,
y de noche y de día mi puerta abierta.

Que estoy en vela,
que estoy en vela,
para ver si me roba,
¡Aya!, Luis Candelas.

Anoche una diligencia,
ayer el palacio real,
mañana quizás las joyas,
de algún palacio ducal.

Y siempre roba que roba,
y yo por él siempre igual,
queriéndolo un día mucho,
y al día siguiente más.

Y no importa que la gente,
mi canción, que va en el viento,
traiga y lleve maldiciente.

(repete o refrão)

Debajo de la capa de Luis Candelas ……………….

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